quarta-feira, 27 de junho de 2012


João Ferro, ostentando várias peças de ouro, pedia "presentes" a fornecedores da Prefeitura de Montes Claros

A promiscuidade das relações entre agentes públicos municipais e empresários que mantém contratos com a administração pública de Montes Claros parece não ter limites. Escuta telefônica autorizada pela justiça revela diálogos travados entre o secretário municipal de Serviços Urbanos João Ferro, com um empresário de prenome Hélio, na presença do vereador Athos Mameluque, que também participa da conversa.
João Ferro pede “presente” de Natal ao interlocutor e a doação de 5 mil litros de combustível para Athos Mameluque. Antes que a conversa termine, o próprio Athos Mameluque passa a falar com Hélio. O vereador lembra que foi o autor de uma emenda a projeto de lei que retirou a exigência de uma caução (garantia) supostamente do interesse do grupo representado por Hélio.
Leia abaixo trechos do diálogo e ouça o inteiro teor dos diálogos de João Ferro.

João Ferro: Alô!
Hélio: Ô João Ferro...
João Ferro: Quem é?
Hélio: É Helio.
João Ferro: Onde é que você está, seu corno? (risos)
João Ferro: Ô Hélio, mas você é bandido demais, moço. O Natal é amanhã e você não mandou nada para nós, moço. 
Hélio: Pois é sô, ... mas vai chegar ai, pode ficar tranquilo.
(...)
João Ferro: Cê vai vim que dia para trazer os presentes para nós.
Hélio: Pois é, sô, semana que vem. Provavelmente, sábado, ou dia 27, por ai.
Adiante, na mesma conversa, João Ferro pede a doação de 5 mil litros de combustível para Athos Mameluque
João Ferro: Cê fala com Gastão, para ele doar 5 mil litros de combustível para a campanha de Athos Mameluque. Ele que fez a lei lá para fazer a isenção, viu.
Hélio: Ele está se candidatando para quê?
João Ferro: Para vereador, ué. Presidente da Câmara...
Hélio: E você, pô?
João Ferro: Uai, nós vamos conversar.
Hélio: É, então tá bão? (risos)
João Ferro: Peraí que Athos (Mameluque) quer falar com você.
(...)
Athos Mameluque: Cê fala com sua turma ai em casa, a turma toda, que quem botou a emenda lá tirando a caução foi Athos Mameluque, viu.
Hélio: Beleza, pode ficar tranquilo.
Athos Mameluque: Lembra que foi emenda do vereador, viu.
Hélio: Tá bom. Bão demais.
Athos Mameluque: O vereador conta com a amizade ai de vocês.
Hélio: Pode ficar tranquilo.

terça-feira, 26 de junho de 2012

“Laranja com Pequi”


Uma operação contra a prática de fraudes de licitações para aquisição de merenda escolar, entre outros alimentos, é realizada na manhã desta terça-feira (26) em Belo Horizonte e Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Intitulada de “Laranja com Pequi”, a ação tem o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada na prática de fraudes a licitações promovidas junto a prefeituras e órgãos da Administração Pública, especialmente no que se refere à aquisição de alimentos para presídios e merenda para escolas públicas. A operação é coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte e de Montes Claros e conta com a participação da Polícia Federal, da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) e da Polícia Militar.
Ao todo, serão cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 35 de busca e apreensão. Unidades da empresa Stillus Alimentação Ltda, que é de propriedade de Alvimar Perrella, ex-presidente do Cruzeiro e irmão do senador Zezé Perrella, estão sendo vistoriadas. Os imóveis do empresário, como um apartamento de luxo no bairro Belvedere, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, também passam por buscas, em Montes Claros  norte de minas, foram presos o vereador Athos Mameluque (PMDB), o diretor do Funadem conhecido como Vitor do volei e a secretária de educação do município.
Quatro promotores de Justiça, cinco delegados e 25 agentes de polícia federais, 57 auditores fiscais e 42 policiais militares trabalham na operação.
A fraude
De acordo com investigações do MPMG,  vários agentes públicos têm participação na fraude de licitações no âmbito da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS), da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e do Departamento de Estradas e Rodagens (DER-MG), além de prefeituras, especialmente a de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, onde há mandados de prisão para dois secretários municipais, dois assessores, o chefe da divisão de compras e o diretor do projeto municipal “Esporte e educação: caminho para a cidadania”. Na Câmara Municipal de Montes Claros, há mandado de prisão para um vereador. Em Três Corações, há mandado de prisão para o diretor do presídio e, em Belo Horizonte e Juiz de Fora, para vários empresários do ramo de alimentação industrial.
Segundo MPMG, já foi comprovado que a administração pública estadual desembolsou aproximadamente R$166 milhões que deveriam ter sido destinados ao pagamento de refeições para presídios e casas de detenção. Calcula-se que pelo menos um terço desses valores foi desviado a apropriado pela organização criminosa.
Interceptações telefônicas autorizadas judicialmente comprovam que tais empresários atuam de forma a combinar, com antecedência, os preços e condições que serão oferecidas para fornecimento de refeições destinadas à população carcerária, restaurantes populares e escolas públicas. Contam, ainda, com o apoio de pessoas especializadas nas rotinas dos pregões públicos, de modo a dificultar ou restringir a participação de outras empresas nas licitações.
Na internet já até apareceu logo para a ação da polícia!

As investigações apontam ainda que a Prefeitura de Montes Claros gastava R$ 2 milhões por ano no fornecimento de alimentação para as escolas municipais e, após a terceirização desse serviço, passou a gastar cerca de R$12 milhões por ano. Além disso, a empresa contratada, pivô do esquema fraudulento, passou a receber por aluno matriculado nas escolas e não por aluno efetivamente alimentado, como determinam as normas do Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE).
Os documentos e equipamentos de informática arrecadados na operação passarão por detalhado exame técnico/contábil e devem contribuir com as provas já existentes sobre as fraudes cometidas e os prejuízos causados aos cofres públicos.
O resultado da operação será divulgado por meio de coletivas de imprensa, que serão realizadas às 10h e 11h da manhã desta terça em Montes Claros e Belo Horizonte, respectivamente. (As informações são do Ministério Público/MG)
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REPORTAGEM DO ESTADO DE MINAS

Operação “Laranja com Pequi” – Presos na sede da Polícia Federal, o vereador Athos Mameluque (PMDB) e Vítor Oliveira

Presos na sede da Polícia Federal de Moc, o vereador Athos Mameluque (PMDB) e Vítor Oliveira (Vitão do Vôlei)
Presos na sede da Polícia Federal de Moc, o vereador Athos Mameluque (PMDB) e Vítor Oliveira (Vitão do Vôlei)

Em Montes Claros,  a Polícia Federal cumpre seis mandados de prisão e dois de busca e apreensão na Prefeitura e Câmara Municipal, que estão fechadas ao público. No local, apenas a presença de agentes federais e auditores da Receita estadual que analisam documentos e computadores, em busca de provas do crime investigado. Já estão presos na sede da Polícia Federal, em Montes Claros, o vereador Athos Mameluque (PMDB), o empresário Vítor Oliveira, o ex-secretário de Serviços Urbanos João Ferro e o assessor especial da prefeitura Noélio Oliveira. Mais dois mandados de prisão podem ser executados ainda hoje, envolvendo funcionários públicos da prefeitura de Montes Claros, cujos nomes ainda não foram divulgados para não atrapalhar as prisões dos suspeitos. 
De acordo com os promotores públicos, os suspeitos de envolvimento nas fraudes usavam do expediente de combinar, previamente, preços e condições de pagamento para o fornecimento de alimentação para presídios e escolas públicas. As investigações envolveram escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça. As investigações começaram por Montes Claros e se alstaram por outros municípios. Na cidade de Montes Claros, a suspeita começou quando o valor gasto anualmente passou, na gestão passada, de R$ 2 milhões, para R$ 12 milhões, na atual adminsitração da prefeitura.  
Formação de quadrilha
De acordo com a Polícia Federal, a operação em Montes Claros busca desarticular quadrilha suspeita de fraudar licitação em órgãos estaduais e em diversos municípios mineiros para compra de merenda escolar e fornecimento de comida para presídios. A Polícia Federal cumpre, em Minas e em Tocantins, 27 mandados, sendo oito de prisão de agentes públicos e 19 mandados de busca e apreensão em residências e empresas e, ainda, nas sedes da Prefeitura e da Câmara Municipal de Montes Claros. Os demais mandados estão sendo executados sob a alçada do Ministério Público de Minas Gerais, em parceria com a Receita Estadual e Polícias do Estado/MG.
As investigações começaram em 2010, quando foi instaurada pela Polícia federal, naquele município, inquérito policial destinado a apurar direcionamento da licitação e o consequente desvio de recursos públicos do Fundeb destinados à aquisição de merenda escolar. O inquérito foi remetido para o Ministério Público Estadual, que também investigava o mesmo assunto, além do fornecimento de alimentação a sistemas prisionais e escolas públicas em municípios mineiros. Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.
Por Luiz Ribeiro (Estado de Minas)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tadeu não será candidato!

O prefeito Luis Tadeu Leite (PMDB) anunciou, na tarde desta segunda-feira (25), que desistiu de ser candidato a prefeito de Montes Claros nas eleições deste ano.

O motivo da desistência é que Leite se submeteu a duas cirurgias no início deste mês. “A primeira foi programada. Ele (Tadeu) tinha diverticulite e sofria muitas dores na região abdominal. Então marcamos a cirurgia antes dos períodos eleitorais”, explicou a médica, Stela Leite, esposa do prefeito e primeira-dama da Cidade. No entanto, a segunda cirurgia, de acordo com a Stela, teve um cunho emergencial: “Foi detectado uma necrose em todo o intestino grosso. Portanto, houve a necessidade de retirar o intestino. No lugar, foi colocado uma bolsa que exerce a função do órgão”.

Apesar de ter retornado da capital mineira, onde estava internado, o chefe do executivo ainda não recebeu alta médica e vai continuar o tratamento por cerca de três a seis meses. Ainda debilitado devido à cirurgia e sob efeito dos medicamentos, Tadeu Leite anunciou: “Tomei uma das maiores decisões da minha vida. Eu não posso ser candidato a perfeito de Montes Claros. Agora, o cargo fica nas mãos do meu partido (PMDB). Não tenho estrutura física nem psíquica para tentar a reeleição”.

Sobre a postura do prefeito durante as campanhas, ele respondeu que tem duas opções: lançar um candidato próprio do PMDB ou apoiar algum outro candidato: “Sou a favor da renovação”.
— com Billy Guilherme e outras 8 pessoas.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Prefeito de Montes Claros está na mira da polícia após escutas

Prefeito de Montes Claros está na mira da polícia após escutas

Tadeu Leite na mira da PF
A Prefeitura de Montes Claros não foi alvo de busca e apreensão por parte da Polícia Federal, mas o município é um dos investigados por causa de contratos firmados com as empresas comandadas pelo empresário Evandro Leite Garcia, que, de acordo com as investigações, lidera o esquema de fraudes. Em uma das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e que fazem parte do inquérito, o prefeito Tadeu Leite (PMDB) conversa com Evandro em 4 de maio. “Tem um serviço que tem fazer dinheiro”, diz o prefeito ao empresário, preso ontem.


As escutas revelam também conversas entre Tadeu Leite e Luiz Eduardo Fonseca Mota, apontado nas investigações como “lobista do grupo criminoso e executor das obras de Evandro Garcia na cidade de Montes Claros” e que foi secretário de Fazenda e Administração do atual prefeito em suas duas gestões passadas. Em 9 de abril, Tadeu Leite ligou para o lobista e combinou um encontro, avisando que vai enviar para a casa dele documentos para ele tomar conhecimento antes da reunião.As empresas de Evandro executam diversas obras na cidade, entre elas a construção de um cemitério, de quadras poliesportivas e a reforma de uma praça. Nos diálogos aparecem também conversas entre Evandro e funcionários de suas empresas com servidores da Prefeitura, dois deles presos na operação, Romilson Fagundes Cunha e José dos Reis Pereira de Paula, e também com o secretário municipal de Planejamento, Marcos Fábio Martins.
Luiz Eduardo já foi denunciado pelo Ministério Público Federal por comandar empresa envolvida em fraude para a construção de barragens com recursos federais em Januária, no Norte de Minas, também investigada na Operação Máscara da Sanidade.

Transcrições implicam prefeito de Montes Claros

Evandro Leite Garcia e Tadeu Leite


04/05/2012
Evandro: Fala
Tadeu: Tudo bom?
Evandro: Tudo bem.
Tadeu: (...) precisar(...)
Evandro: Como é que é, Doutor?
Tadeu: (...)
Evandro: Tá horrível a ligação, tem que melhorar aí.
Tadeu: (...)
Evandro: Não consegui ouvir nada que você falou, viu?
Tadeu: (...)tem um serviço que tem fazer dinheiro.
Evandro: Não estou te ouvindo nada. Melhora aí.
Tadeu: (...) preocupa não, viu?
Evandro: Não tô conseguindo te ouvir não.

Luiz Eduardo Fonseca Mota e Tadeu Leite

09/04/2012
Luiz: Fala Tadeu! Tá “bão”?
Tadeu: Tudo bem? Né? Que cachorrada é essa aí?
Luiz: É que eu estou fazendo um trabalho aqui em casa. Aqui em casa é mais fácil de trabalhar. Tudo bem com você? Como foi de Páscoa? Família?
Tadeu: Tudo bem. Eu tô precisando falar com “cê”. Que hora que “cê” vem aqui?
Luiz: Eu posso ir amanhã de manhã, Tadeu. Tô resolvendo um... uma pendenga aqui.
Tadeu: Amanhã de manhã não posso. Tenho reunião de secretários amanhã cedo. Então amanhã à tarde. Hoje ”cê” não pode não, né?
Luiz: Amanhã à tarde eu passo aí.
Tadeu: Hoje não dá mais não, né? Então tá bom. Eu tô mandando levar em sua casa um documento “procê” tomar conhecimento e amanhã cê passa aqui pra mim discutir uns outros assuntos. Tá bom? Que isso aqui tem um peso.
Luiz: Algum problema ou não?
Tadeu: Não. É um documento aqui “procê dá” uma olhada. Viu? E aí.. amanhã nós conversamos.
Luiz: Mas você vai mandar agora?
Tadeu: Vou mandar daqui a pouco. 

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/06/22/interna_politica,301716/prefeito-de-montes-claros-esta-na-mira-da-policia-apos-escutas.shtml#.T-ReObU7dj0.facebook

Corrupção sangra cofres públicos no Norte de Minas


Lucilene Porto
Repórter

Um desvio de cerca de 100 milhões de reais. Essa é a estimativa do rombo aos cofres públicos em mais de 30 prefeituras de Minas Gerais. O esquema de fraude em licitações, envolvendo empresas do ramo da construção civil foi descoberto pela Polícia Federal que prendeu 16 pessoas nesta quinta-feira (21), em várias cidades do Estado. A quadrilha, que atuava desde 1994, tem três empresas com base em Montes Claros e é acusada de lesar 46 obras públicas, contando com o apoio de servidores públicos e até de prefeitos.
Fotos Xú Medeiros

José dos Reis Pereira de Paula - servidor público e membro da Junta de Programação Orçamentária e Financeira da Prefeitura de Montes Claros
Durante toda manhã de ontem, foi intensa a movimentação na porta da Delegacia da Polícia Federal. Mais de 200 agentes cumpriram 120 mandados judiciais de busca e apreensão, seqüestro de valores, bens e imóveis e de prisão temporária na operação batizada como Máscara da Sanidade.
O objetivo da operação, segundo o chefe da PF, Marcelo Eduardo Freitas foi apurar crimes de formação de quadrilha, peculato, desvio de recursos, fraude de verba pública e lavagem de dinheiro.
-A corrupção precisa ser combatida e a PF em conjunto com o Ministério Público Federal e Estadual, Receita Estadual e Federal, Poder Judiciário e Tribunal de Contas do Estado têm tentado amenizar esse quadro no país, disse o policial acrescentando que dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que 5% do Pib brasileiro é desviado por corruptos.
Em vários momentos, o delegado frisou a necessidade de se combater a corrupção no Brasil. Disse não ter dúvida de que os 100 milhões desviados poderiam ser usados para combater a pobreza em várias cidades.
-Muito se fala em violência, porém, mais violento que o tráfico de drogas é a ação da corrupção e a sangria aos cofres públicos. O mesmo grupo que é lesado pelas fraudes é o mais prejudicado e é o que menos reage à corrupção.

Onde e como aconteciam as fraudes
Segundo a PF, o esquema de fraudes em licitação acontecia em várias cidades como Montes Claros, Bocaiúva, Bonito de Minas, Brasília de Minas, Campo Azul, Capelinha, Capitão Enéas, Claro dos Poções, Cônego Marinho, Coração de Jesus, Engenheiro Navarro, Francisco Sá, Glaucilândia, Guaraciama, Indaiabira, Itamarandiba, Januária, Joaquim Felício, Josenópolis, Manga, Mato Verde, Olhos D’água, Padre Carvalho, Pai Pedro, Patis, Pedras de Maria da Cruz, Pirapora, Porteirinha, Salinas, Santa Cruz de Salinas, Santo Antônio do Retiro, São Francisco, São João da Ponte, São João das Missões, Taiobeiras, Ubaí e Varzelândia. Em todas as prefeituras, exceto Montes Claros, a Polícia Federal recolheu documentos a partir de 2005. Os documentos da prefeitura local já teriam sido recolhidos pelo Tribunal de Contas do Estado há cerca de um mês.

Evandro Leite Garcia, dono da construtora, é acusado de liderar a quadrilha
Ao ser questionado pela imprensa se as fraudes ocorreram na atual administração das prefeituras investigadas, o delegado Marcelo Eduardo Freitas preferiu não divulgar as datas.
-Não se está vinculando prefeitos às fraudes, não queremos interferir no pleito e não há característica eleitoral nessa ação, disse.
O esquema que envolvia empresas da construção civil funcionava da seguinte maneira: três empresas pertencentes a um mesmo grupo participavam de licitação, combinando entre si os valores do serviço a ser prestado. Assim que venciam, elas recebiam auxílio de servidores públicos e até de prefeitos para emitirem notas de serviços que não teriam sido executados, ou que foram executados com o dinheiro do município e não do governo federal.
Obras como cascalhamento, construção de ponte e postos de saúde foram apontados pela PF como algumas das 46 que foram lesadas.
-As empresas do mesmo grupo se articulavam para apresentar licitações e ajustavam valores apresentados com envolvimento dos servidores públicos. Apenas determinadas empresas saíam vencedoras. Assim, elas passavam a emitir notas inidôneas para justificar obras não executadas ou executadas com recursos do município, quando deveriam ser executadas com recurso do governo federal e ou estadual. Quando eram executadas as obras eram feitas em qualidade e quantidade inferior.
Na investigação, que durou seis meses, a Polícia Federal pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, bem como fez o monitoramento telefônico dessas pessoas. Foi assim que os policiais também descobriram a participação de 10 prefeitos no esquema.
-Não temos dúvida que o inquérito será desmembrado para investigação em relação à participação de prefeitos. Vamos apurar a verdade. Começamos a investigar a empresa, e no grampo telefônico pegamos cerca de 10 prefeitos. Focamos a investigação nos funcionários do segundo escalão, pois ainda não tínhamos histórico dos envolvidos.  Houve monitoramento de dois meses e os prefeitos caíram no grampo, explicou o delegado.
Durante a prisão do acusados, um servidor público confirmou o esquema e se dispôs a colaborar com a investigação policial para obter delação premiada. O nome desse funcionário não foi passado para a imprensa.

Máscara da Sanidade
A expressão Máscara da Sanidade é referência ao primeiro estudo sobre sociopatas publicado em 1941, com o livro The Mask of Sanity, de autoria do psiquiatra americano Hervey Cleckley, onde relata casos de pacientes que apresentavam um charme acima da média, uma capacidade de convencimento muito alta e ausência de remorso ou arrependimento em relação às suas atitudes. A analogia foi feita, segundo o delegado Marcelo porque o Brasil, mesmo tendo 17 milhões de miseráveis na linha da extrema pobreza, dos quais quase 1 milhão vivem com renda mensal zero, ainda persistem na sociedade, nas palavras da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva profissionais, camuflados de executivos bem-sucedidos... trabalhadores, pais e mães de família, políticos que, acobertados pela máscara da sanidade, desviam e/ou apropriam-se de recursos públicos, em muitos casos, destinados às necessidades mais elementares da população carente.

Saiba quem foi preso pela PF
Estão presos temporariamente: Evandro Leite Garcia, dono da construtora, é acusado de liderar a quadrilha, Maria das Graças Gonçalves Garcia, esposa de Evandro, Elizângela Pereira da Fonseca, irmã de Maria das Graças e sócia de uma das empresas do grupo criminoso. Segundo apurações, Elizângela representa as demais empresas em determinados processos licitatórios. Também foram presos: Ivan Borges Dias - tem participação de sócio nas empresas de licitação, Sinara Leite Rodrigues - sobrinha de Maria das Graças, Ernani Freitas Gomes - uma das pessoas responsáveis pela execução das obras públicas destinadas às empresas do grupo, Sebastião Filogônio Dias - secretário administrativo da prefeitura de Glaucilândia, Ady Wesley Silveira Dias - proprietário da construtora Potencial e segundo consta, participa, juntamente, com Evandro em algumas licitações públicas em cidades do Norte de Minas, Edílson Renato Caldeira - funcionário da prefeitura de Olhos D’água e responsável pelas medições de obras executadas por Evandro Garcia naquele município, Heloísa Maria Duarte Oliveira Botelho - secretária de educação de Claro dos Poções, Luiz Eduardo Fonseca Mota - seria lobista do grupo e executor das obras de Evandro em Montes Claros (ex-secretário de finanças em gestão anterior, do atual gestor municipal)  , Romilson Fagundes Cunha - servidor da prefeitura de Montes claros e trabalha no setor de licitações, José dos Reis Pereira de Paula - servidor público e compõe a Junta de Programação Orçamentária e Financeira da Prefeitura de Montes Claros, Edaise Luciana Rodrigues Chaves - chefe do setor de licitações do município de Santa Cruz de Salinas, Manoel Teixeira da Cruz - vereador no município de Santa Cruz de Salinas e irmão do atual prefeito da cidade e Edineti Xavier dos Santos - secretária de educação de Santa Cruz de Salinas.
Os 16 acusados ficarão a disposição da justiça por até 5 dias. Eles estão preso temporariamente, no Presídio Regional de Montes Claros.
  Fonte : Jornal O Norte

quinta-feira, 21 de junho de 2012

PF desarticula quadrilha que atuava em 36 Prefeituras Montes Claros/MG

Foto: PF desarticula quadrilha que atuava em 36 Prefeituras Montes Claros/MG – A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais, deflagrou na manhã de hoje, 21 de abril, a OPERAÇÃO MÁSCARA DA SANIDADE , com objetivo de desarticular organização criminosa que desviava recursos públicos de trinta e seis cidades mineiras a partir de fraudes em processos licitatórios.A operação consiste no cumprimento de 120 mandados judiciais: 55 Mandados de Busca e Apreensão (16 pessoas físicas e 39 pessoas jurídicas, incluindo as prefeituras municipais), 49 Mandados de Sequestro de Valores, Bens Móveis e Imóveis, e 16 Mandados de Prisão Temporária.A quadrilha, formada por empresas, pessoas físicas e servidores públicos, fraudava processos licitatórios, direcionando as contratações de obras públicas às empresas integrantes da organização criminosa. Essas empresas venciam os certames públicos com desvio na execução do objeto, ou ainda, com emissão de notas fiscais sem a correspondente prestação dos serviços, uma vez que as obras eram executadas com recursos próprios do município. Desta forma, a quadrilha desviava e se apropriava dos recursos públicos.
Além da prisão de pessoas físicas, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em empresas pertencentes ao esquema criminoso, além das sedes das prefeituras de Bocaiúva/MG, Bonito de Minas/MG, Brasília de Minas/MG, Campo Azul/MG, Capelinha/MG, Capitão Enéas/MG, Claro dos Poções/MG, Cônego Marinho/MG, Coração de Jesus/MG, Engenheiro Navarro/MG, Francisco Sá/MG, Glaucilândia/MG, Guaraciama/MG, Indaiabira/MG, Itamarandiba/MG, Januária/MG, Joaquim Felício/MG, Josenópolis/MG, Manga/MG, Mato Verde/MG, Olhos D’água/MG, Padre Carvalho/MG, Pai Pedro/MG, Patis/MG, Pedras de Maria da Cruz/MG, Pirapora/MG, Porteirinha/MG, Salinas/MG, Santa Cruz de Salinas/MG, Santo Antônio do Retiro/MG, São Francisco/MG, São João da Ponte/MG, São João das Missões/MG, Taiobeiras/MG, Ubaí/MG e Varzelândia/MG.
Os presos responderão, na medida de suas participações, por crimes contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, dentre outros. Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.
A expressão Máscara da Sanidade é referência ao primeiro estudo sobre sociopatas publicado em 1941, com o livro The Mask of Sanity, de autoria do psiquiatra americano HERVEY CLECKLEY, onde relata casos de pacientes que apresentavam um charme acima da média, uma capacidade de convencimento muito alta e ausência de remorso ou arrependimento em relação às suas atitudes. O Brasil, conforme dados do IBGE, possui 17 milhões de miseráveis na linha da extrema pobreza, dos quais quase 1 milhão vivem com renda mensal zero. Mesmo diante de um quadro como esse, ainda persistem em nossa sociedade, nas palavras da psiquiatra ANA BEATRIZ BARBOSA SILVA, “profissionais, camuflados de executivos bem-sucedidos... trabalhadores, pais e mães de família, políticos” que, acobertados pela máscara da sanidade, desviam e/ou apropriam-se de recursos públicos, em muitos casos, destinados às necessidades mais elementares da população carente.
Será concedida entrevista coletiva às 11:00 hs na Delegacia da Polícia Federal em Montes Claros/MG, localizada na Rua Coração de Jesus, 500, Centro
Comunicação Social da Polícia Federal em Montes Claros/MG
Contato:  (38) 2103-3200– A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais, deflagrou na manhã de hoje, 21 de abril, a OPERAÇÃO MÁSCARA DA SANIDADE , com objetivo de desarticular organização criminosa que desviava recursos públicos de trinta e seis cidades mineiras a partir de fraudes em processos licitatórios.A operação consiste no cumprimento de 120 mandados judiciais: 55 Mandados de Busca e Apreensão (16 pessoas físicas e 39 pessoas jurídicas, incluindo as prefeituras municipais), 49 Mandados de Sequestro de Valores, Bens Móveis e Imóveis, e 16 Mandados de Prisão Temporária.A quadrilha, formada por empresas, pessoas físicas e servidores públicos, fraudava processos licitatórios, direcionando as contratações de obras públicas às empresas integrantes da organização criminosa. Essas empresas venciam os certames públicos com desvio na execução do objeto, ou ainda, com emissão de notas fiscais sem a correspondente prestação dos serviços, uma vez que as obras eram executadas com recursos próprios do município. Desta forma, a quadrilha desviava e se apropriava dos recursos públicos.
Além da prisão de pessoas físicas, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em empresas pertencentes ao esquema criminoso, além das sedes das prefeituras de Bocaiúva/MG, Bonito de Minas/MG, Brasília de Minas/MG, Campo Azul/MG, Capelinha/MG, Capitão Enéas/MG, Claro dos Poções/MG, Cônego Marinho/MG, Coração de Jesus/MG, Engenheiro Navarro/MG, Francisco Sá/MG, Glaucilândia/MG, Guaraciama/MG, Indaiabira/MG, Itamarandiba/MG, Januária/MG, Joaquim Felício/MG, Josenópolis/MG, Manga/MG, Mato Verde/MG, Olhos D’água/MG, Padre Carvalho/MG, Pai Pedro/MG, Patis/MG, Pedras de Maria da Cruz/MG, Pirapora/MG, Porteirinha/MG, Salinas/MG, Santa Cruz de Salinas/MG, Santo Antônio do Retiro/MG, São Francisco/MG, São João da Ponte/MG, São João das Missões/MG, Taiobeiras/MG, Ubaí/MG e Varzelândia/MG.
Os presos responderão, na medida de suas participações, por crimes contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, dentre outros. Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.
A expressão Máscara da Sanidade é referência ao primeiro estudo sobre sociopatas publicado em 1941, com o livro The Mask of Sanity, de autoria do psiquiatra americano HERVEY CLECKLEY, onde relata casos de pacientes que apresentavam um charme acima da média, uma capacidade de convencimento muito alta e ausência de remorso ou arrependimento em relação às suas atitudes. O Brasil, conforme dados do IBGE, possui 17 milhões de miseráveis na linha da extrema pobreza, dos quais quase 1 milhão vivem com renda mensal zero. Mesmo diante de um quadro como esse, ainda persistem em nossa sociedade, nas palavras da psiquiatra ANA BEATRIZ BARBOSA SILVA, “profissionais, camuflados de executivos bem-sucedidos... trabalhadores, pais e mães de família, políticos” que, acobertados pela máscara da sanidade, desviam e/ou apropriam-se de recursos públicos, em muitos casos, destinados às necessidades mais elementares da população carente.
Será concedida entrevista coletiva às 11:00 hs na Delegacia da Polícia Federal em Montes Claros/MG, localizada na Rua Coração de Jesus, 500, Centro
Comunicação Social da Polícia Federal em Montes Claros/MG
Contato: (38) 2103-3200